É correto ter como, indicador de qualidade da Manutenção, a quantidade de pendências (corretiva) existentes no equipamento, além de tempo de permanência da pendência ?
Sem nenhuma análise de critério de criticidade ? Sem nenhuma análise de influência de outros processos (Setor de Compras, Setor de Produção).
Estou me referindo a area de Construção Pesada (tratores de esteira, escavadeiras, motoniveladoras, caminhões traçados, fora-de-estrada, etc)
08/09/2010 às 21:09:25
Cara Cláudia, tenho uma experiência de 17 anos em planejamento de manutenção já participei algumas vezes da criação de indicadores de manutenção em plantas diversas, sinceramente nunca atuei em plantas desta natureza, ou seja, frota, como você citou que é o caso.
Mas o que posso acrescentar se puder lhe ajudar é o seguinte.
Um bom indicador de qualidade de manutenção deve no mínimo contemplar os dois tipos básicos que acredito que vocês devam praticar que são a CORRETIVA E A PREVENTIVA, caso seja isto, sugiro que vcs criem dois indicadores o de cumprimento do plano de preventiva ICPP de um período, geralmente mensal, (ICPP = Ordens de Preventiva concluídas no período / Total de Ordens do período ) e o indicador de cumprimento das corretivas ICC ( ICC = Ordens de Corretiva concluídas no período / Total de Ordens do período). Há dois pontos a serem observados, 1) Você pode fazer a divisão em relação ao total das Ordens de cada tipo de manutenção, o que lhe dará resultados isolados.
2) Você pode fazer a divisão em relação ao total geral, ou seja, somatório entre o total da preventiva e o total da corretiva, neste caso você terá resultados que somados se aproximam de 100%.
Com relação ao comentário sobre criticidade, acredito que seja interessante você ter mapeado os equipamentos críticos e controlar através de um indicador separado as corretivas que ocorrem nos mesmos, inclusive utilizando além dos indicadores outras ferramentas de análise de falhas, tais como ishikawa ou PDCA, mas aí é outro capítulo! Obs.: Essa é a minha opinião, podem existir outras!
Com relação a envolver variáveis tais como setor de compras ou setor de produção, acredito que seja precoce você já começar a controlar o indicador com variáveis as quais você provavelmente não tenha controle ou ação e que são variáveis intrínsecas do processo, salvo engano, seria mais ou menos como se você náo soubesse sequer dirigir um carro e quisesse já começar a dirigir um helicóptero, sem nenhuma hora de vôo de experiência. Bom o que quis dizer é que acho que esses controles seriam algo para se pensar depois que vocês já estivessem maduros, trabalhando e dominando bem os indicadores que vocês criarem. Isso deve acontecer depois de um ano ou dois que vcs já estiverem com os seus KPI`s (indicadores de controle, como são conhecidos pelos que gostam de "inglesar" tudo.
Bom Cláudia, não sei se ajudei, mas uma mensagem quero deixar para ti, em-se-tratando de indicadores, não existe certo ou errado, o que existe é o que você quer ver, baseado nas ações que você vai tomar para gerir o processo de manutenção da sua empresa.
12/09/2010 às 17:09:22Cláudia
1) A literatura abaixo trata-se de uma boa referência bibliográfica, que pode orienta a escolha dos Indicadores mais adequados à realidade existente. Também abre horizontes e nos ajuda no sentido de criarmos novos Indicadores, orientados à necessidade do segmento produtivo em que trabalhamos.
BRANCO, Gil. Indicadores e índices de manutenção. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, 2006.
2) Em relação ao nível de criticidade do equipamento ou maquinário, isto é sim relevante no que diz respeito:
- ao enquadramento destes nos planos de manutenção preditiva, preventiva ou mesmo na manutenção corretiva tradicional,
- à priorização no atendimento;
- e à alocação dos recursos disponíveis.
Não se deve, no entanto, confudir "criticidade de equipamento" com "prioridade de atendimento". Em algumas situações os equipamentos críticos serão intervidos prioritariamente, dependendo do impacto que o defeito ou a falha esteja causando à produção, produtividade, meio-ambiente, qualidade, segurança do indivíduo, etc. Em outras situações, equipamentos de menor criticidade terão prioridade no atendimento. Ex: "pintura de retoque na base de um vaso de pressão de produto tóxico" x "sanar vazamento em uma tubulação de água". Apesar da tubulação, provavelmente, ter uma criticidade menor que a do vaso, certamente terá o seu serviço priorizado.
3) A quantidade de pendências puxa um indicador importantíssimo no universo da manutenção: o "backlog". O tempo de permanência com o "status" PENDENTE, também pode ser utilizado como indicador de desempenho da área de manutenção, sim. Sem problemas.
4) No que diz respeito a considerar o nível de critidade do equipamento associadamente ao "backlog" ou ao tempo de pendência para realização do serviço, também não há problema. Você pode, inclusive, definir um sistema de peso, considerando a criticidade do equipamento ou maquinário que encontra-se indisponível, orientando a criação de um novo indicador.
5) A influência dos outros processos na indisponibilidade do equipamento ou maquinário, pode e deve ser demonstrada através de indicadores próprios, onde visualize-se quantativamente aqueles que aguardam a chegada de materiais, a contratação de mão-de-obra especializada, etc.
6) No que diz respeito às perdas decorrentes da indisponibilidade do equipamento ou maquinário, isso também deve ser projetado numérica e graficamente, de forma a ter-se controle sobre o lucro cessante, inclusive.
7) Apenas para ilustrar um pouco mais a resposta, encontram-se relacionados abaixo alguns indicadores Classe Mundial e outros utilizados pela área de PCM (Planejamento e Controle da Manutenção).
CLASSE MUNDIAL
- MTBF (Mean Time Between Failures / Tempo Médio Entre Falhas);
- MTTR (Mean Time To Repair / Tempo Médio Para Reparo);
- disponibilidade e eficácia operacional global;
- custo de manutenção por faturamento;
- custo de manutenção por valor de reposição.
PCM
- backlog;
- retrabalho;
- índice e pendências de manutenção corretiva;
- índice e pendências de manutenção preventiva;
- índice e pendências de manutenção preditiva;
- índice de lubrificação;
- alocação de Hh nas OSs;
- treinamento em manutenção;
- taxa de freqüência de acidentes;
- taxa de gravidade de acidentes, etc.
Em geral são indicadores trabalhados conjuntamente, com fins de se eliminar os clássicos desvios observados na análise de apenas um indicador, exclusivamente.
Prof.° Sandro Beltrão, MSc
COMEC / IF-AL
(82) 9968-3627
07/10/2010 às 01:10:03